Entre Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, por uma das mais belas viagens em estrada de ferro.
Às nove horas de uma manhã muita fria de inverno, um apito ecoa na plataforma da estação onde esta a “Maria Fumaça”, nome mais popular das locomotivas movidas a vapor. Um trem construído no Estados Unidos, no ano de 1941. O badalar do sino anuncia que: “Maria Fumaça vai partir”.
A locomotiva joga uma nuvem branca e densa para o ar, ela é movida a carvão vegetal, que é necessário alimentar a fornalha 5 horas antes. Ela irá consumir 1.5 toneladas de carvão e 5.000 litros de água, nesse passeio. Lentamente a composição, que possui 6 vagões sobre 80 rodas, montadas sobre eixos sólidos, desliza suavemente, ganhando velocidade encima de trilhos com dormentes de madeira.
Lá dentro, na cabina, vejo o maquinista, um alegre homem de 50 anos, que dispensa os painéis analógicos, para dirigir o trem pelos sentidos de 20 anos de experiência. Auxiliado por 2 homens que jogam carvão na fornalha, combustível que irá mover nosso passeio.
Nesse trem vou eu saboreando o prazer da viagem, no balanço de um sonho, ao som do ruído das rodas sobre os trilhos.
Dentro do vagão que me encontro, um retorno ao passado, onde acontecem apresentações da “epopéia italiana”, que mostra os 150 anos da imigração italiana em nosso País, o que é comemorado pelo grupo nesses 23 km de passeio.
Uma hora e meia depois, o trem perde velocidade e aproximando-se da cidade de Carlos Barbosa, com um assobio de freios ele chega ao destino.
No desembarque, despeço-me dos novos amigos, lamentando o fim da viagem, mas consolando-me que experimentei mais uma aventura, diferente das que realizo com minha moto. Mais uma apresentação, que revive a colonização heróica e vencedora de imigrantes italianos.
Um pedaço do meu coração viajará sempre com eles.
Manoel Viana
São Lourenço do Sul - RS
mavislf@terra.com.br





Passeio na Maria Fumaça
Foi lá no dia 20 de maio passado
Fomos eu, minha mãe e minha esposa
Realizar um passeio encantado
Naquela ferrovia maravilhosa.
As gurias dão explicações
Sobre aquele trem tão bom
Tudo é bom naqueles vagões
Até o sistema de som!
Depois disto vêm ainda
Um grupo de dança italiano
Dançando com a Dona Arminda
Que é a mãe de quem está narrando.
Minha esposa se achou no céu
Porque achou tudo lindo
O nome dela é Raquel
Esposa deste que não está mentindo.
Depois, a saudade vem
Depois daquele apitar
Eu andei naquele trem
E vou um dia voltar!

João batista da Silva Machado
don.sm@ig.com.br